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26 de julho de 2020

Este isolamento social tem começado a mexer comigo



Este isolamento social tem começado a mexer comigo. Saio só para ver meus pais, fazer compras 1 a 2 vezes ao mês e ir a dentista (que outro anjo que Deus colocou em minha vida).
Uma lembrança recorrente que vem a minha mente é minha primeira sessão com minha primeira psicóloga. Ela pediu para eu falar de mim. Depois ela perguntou:
_Preparada para tirar a purpurina da sua família?
Eu disse que não estava. Ela me preparou e começou a tirar.
Hoje não tem mais purpurina. A terapia tirou a purpurina, a meditação me ensinou a observar, e com o tempo de prática aprendi a apenas testemunhar sem reagir. Descobri muito. Agora, com este isolamento eu tenho tido muito mais tempo de observar e analisar, me autoanalisar também.
Infelizmente, acho que tenho visto mais a parte que vou chamar de sombria, mas não é tanto assim. Algumas características de comportamento que hoje vejo que são horríveis, e que um dia também fiz e achei bonita e correta.
O pior, algumas coisas que minhas irmãs fazem e eu sempre condenei e hoje, só agora (meu Deus como sou lerda), vejo que são da minha mãe ou do meu pai. Que na verdade herdaram, não roubaram de ninguém.
O bom disto tudo é que vejo o que não quero repetir e que vou observar em mim para me corrigir e tentar ser uma pessoa melhor.
Ando em uma onda de vitimismo que me assusta. Mas como sempre tive dificuldade de cuidar de mim, e sempre me lancei para cuidar dos outros, estou me observando nesta fase para ver em que parte tenho responsabilidade e preciso mudar.
Exemplo, deixar de fazer coisas por mim e por meu filho por estar ocupada em resolver problemas dos outros.
Uma coisa é a pessoa estar passando por um problema e você ajudar, dar a mão e puxar do buraco. Outra é a pessoa se jogar repetidamente no mesmo buraco, por opção e depois em vez de sair sozinha voltar a te pedir ajuda de novo e de novo... Aí você olha apara trás e vê quanto tempo da sua vida você dedicou a dar a mão e a pessoa não mudou e se joga de novo porque sabe que você vai se lascar para ajudar. É responsabilidade minha permitir ser manipulada assim. Eu permiti.
Véi, eu sou muito permissiva. Que merda. O pior é que quando preciso de alguém, só alguém para me ouvir, ou eu tenho que escrever aqui ou pagar psicóloga. Sou a besta que escuta todo mundo e na hora que preciso...
Bem, é injustiça, tenho duas amigas lindas que posso contar com o ouvido amoroso.
Como pode ter tanta gente que só vê o próprio umbigo e não percebe que você também precisa de ajuda?
Mas isto acontece por quê? Por que eu permito. Como mudar?
Bem, atualmente nos “encontramos” apenas por WhatsApp. Sempre mando mensagens para as amigas para saberem como estão. Principalmente as que trabalham na área da saúde. Então esta semana decidi não mandar mensagem para ninguém. Vamos ver quantas percebem minha ausência. Será vitimismo demais?
Não estou numa boa vibe. Não quero ficar em casa só lembrando de coisas ruins. Mas também não quero voltar a jogar purpurina em tudo e colorir lembranças que na verdade têm com de cinza. Queria tanto estar com grana para fazer terapia online.