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6 de novembro de 2020

Spin Out - Série sobre uma patinadora bipolar

 



Crítica do site Omelete sobre a série  clique aqui

        

Não vou contar o filme , mas vou falar sobre o que achei do comportamento dela com e sem remédio, com e sem euforia.

Gostei muito, mas sempre acho que quando abordam este tema dão uma leve exagerada na parte da euforia. Ou eu não sou assim e muitos são.

A apatia dela enquanto estava tomando o lítio, me identifiquei.

E quando ela resolve tirar o Lítio para conseguir fazer coisas. Nossa, já fiz muito isto. Retirava o lítio para propositalmente entrar em euforia. Nas primeiras vezes que fiz isto eu errei e voltei a tomar a medicação depois de algum estrago. Mas com o tempo eu aprendi a voltar a tomar a tempo. Pelo menos eu acho. Quando estamos em euforia não temos muito discernimento.

Aquela libido louca e a energia para fazer as coisas no início da euforia é como droga. Mas depois te destrói como as drogas também.

Sempre achei que ficava sem energia e apática com o Lítio, estou sem tomar, mas estou bem, sem variações de humor. Estou só com a Bupropiona.

A diferença entre ela e a mãe dela. Uma que toma a medicação direitinho e a outra que se nega a tomar.

Mas a amnésia depois que fz muita merda eu nunca tive. Sempre lembrei de tudo. Acho que lembrava com filtros, sob o meu olhar, não vendo nada demais nas loucuras e exageros.

Mas eu gostei muito da série. Recomendo. É um assunto que tem que ser mostrado, falado, discutido e compreendido.

17 de agosto de 2020

“O passado nunca morre. Não é nem mesmo passado”.

 

Minha irmã está em depressão profunda por causa desta pandemia. Síndrome do pânico, fobia social. Ou seja, experimentando a companhia das minhas velhas conhecidas.

Lógico que eu não desejo isto para ninguém, queria tirar esta depressão dela com minhas mãos. Mas como aprendi a apenas observar, percebi umas cosias.

Primeiro, ela me dizendo como estava sentindo e o que sentia quando falam para ela reagir. Eu falei e repeti umas cinco vezes que “Eu sei exatamente, você sabe que tenho depressão há anos”. E ela fica chocada.

Ela e as filhas delas sempre me olharam como a chata que está triste atrapalhando a alegria da família, quando eu estava na fase de depressão. E me olhavam como a que quer aparecer, ou a sem noção, em meus momentos de euforia. E falavam: _ Isto é psicológico. E em minhas crises de fibromialgia? Diziam que fibromialgia não existia.

Agora minha irmã está lá, aprendendo a duras penas, mas com muito apoio familiar o que eu vivi sozinha com meu filho. Meu filho tinha que se virar sozinho. Digo sozinho pq eu mal conseguia cuidar de mim. Mas o pouco de energia que tinha eu tentava usar para cuidar dele. Ele sempre foi e é a Luz da minha vida.

Ontem minha irmã me ligou me pedindo para fazer mil coisas para o genro dela pq ele está sozinho e pode entrar em depressão. Ele não está em depressão, liguei para ele. Mas fiquei pensando:

Véi (adoro falar véi, sou do DF, mas tbm sou mineira uai), nunca nem me ligaram ou ofereceram ajuda quando eu estava na pior com depressão. Parecia que eu estava com uma doença contagiante e que eu poderia contaminar até pelo telefone. Sempre que eu estava na pior, no fundo do poço ou no auge da euforia, minha família sumia, só meu pai me ligava, mas ele sempre tão doente tadinho, me ajudava com as ligações. E fazia a diferença. Meu pai fica entrando e saindo do hospital a 25 anos, é um guerreiro.

Então fico pensando. Pq tenho que ajudar o genro dela? (ele não está precisando de ajuda, conferi), pq tenho que me preocupar com ela? Ela tem uma rede de ajuda, está na chácara isolada com empregados ajudando. É triste, mas ela vai aprender muito com esta doença, pelo menos é o que eu espero, pq ela é psicóloga. Será que ela também não acreditava na depressão dos pacientes dela? Ela vai se tornar uma psicóloga melhor.

Este distanciamento está me fazendo ver e relembrar de muitas coisas doloridas. Coisas que eu tinha enterrado e nunca quis ver. Minha psicóloga sempre falava que ia tirar a purpurina que eu colocava em minha família Achava que ela tinha tirado tudo, mas não. Algumas coisas estavam no subsolo do fundo do poço. Infelizmente ando acessando este lugar ultimamente.

Meus pais têm muitas qualidades e eu amo-os demais. Mas também tenho me lembrado de coisas. Tenho lembrado do tanto que meu pai gritava, me chamava de lerda por eu ser distraída e de como ele sabe ser cruel com as palavras, fisicamente não, muito dedicado à família, até demais, pq nos controlava excessivamente e nunca saia de casa. Adorava quando ele tinha que viajar a trabalho, voltava um doce.

Minha mãe nunca escondeu a preferência por uma das filhas, esta irmã, a preferida, sempre fez tudo errado, sempre aprontou horrores, roubou, mentiu, manipulou, mas é a queridinha. Hoje vejo que minha mãe sempre posta àquelas fotos de lembranças do Facebook com ela e os filhos dela, eu sempre fui a que mais saiu com ela e ela não posta nenhuma foto comigo. Eu saia com ela quase toda semana, me Instagram tem mais fotos da minha mãe do que minha Tenho muitas teorias sobre isto, cada uma dói mais que a outra. Então deixo de lado e tento ver só o lado bom da minha mãe, tem muita coisa, bem humorada, antenada, jovial, me faz rir muito.

Pensei que ele não percebia isto, mas hoje ele falou. Deixa a família queridinha da minha avó fazer isto para ela. Você tem que cuidar de você.

Não queria estar vendo o passado, mas não estou conseguindo fazer muitos planos para o futuro porque não consigo imaginar como vai ser, com estes tempo sombrios que estamos vivendo. Doenças, brigas por tudo, política, religião, gênero, estilo... esta era de ódio na internet em que de um dia para o outro as pessoas se acham no direito de destruir a vida do outro através das redes sócias. Enfim, muitas coisas ruins que me deixam chocada e preocupada com o futuro da humanidade.

Acho que estou meio deprimida também. Não quero ficar olhando para trás e remoendo o passado. Mas estas descobertas, este desnudar do meu passado tem sido mais intenso do que anos de terapia, lembrado de coisas absurdas.  Não sei se é lembrar ou ressignificar, tirar a purpurina como dizia minha terapeuta.

Dói, acho que sou lerda mesmo. Só agora as fichas da minha vida estão caindo.


26 de julho de 2020

Este isolamento social tem começado a mexer comigo



Este isolamento social tem começado a mexer comigo. Saio só para ver meus pais, fazer compras 1 a 2 vezes ao mês e ir a dentista (que outro anjo que Deus colocou em minha vida).
Uma lembrança recorrente que vem a minha mente é minha primeira sessão com minha primeira psicóloga. Ela pediu para eu falar de mim. Depois ela perguntou:
_Preparada para tirar a purpurina da sua família?
Eu disse que não estava. Ela me preparou e começou a tirar.
Hoje não tem mais purpurina. A terapia tirou a purpurina, a meditação me ensinou a observar, e com o tempo de prática aprendi a apenas testemunhar sem reagir. Descobri muito. Agora, com este isolamento eu tenho tido muito mais tempo de observar e analisar, me autoanalisar também.
Infelizmente, acho que tenho visto mais a parte que vou chamar de sombria, mas não é tanto assim. Algumas características de comportamento que hoje vejo que são horríveis, e que um dia também fiz e achei bonita e correta.
O pior, algumas coisas que minhas irmãs fazem e eu sempre condenei e hoje, só agora (meu Deus como sou lerda), vejo que são da minha mãe ou do meu pai. Que na verdade herdaram, não roubaram de ninguém.
O bom disto tudo é que vejo o que não quero repetir e que vou observar em mim para me corrigir e tentar ser uma pessoa melhor.
Ando em uma onda de vitimismo que me assusta. Mas como sempre tive dificuldade de cuidar de mim, e sempre me lancei para cuidar dos outros, estou me observando nesta fase para ver em que parte tenho responsabilidade e preciso mudar.
Exemplo, deixar de fazer coisas por mim e por meu filho por estar ocupada em resolver problemas dos outros.
Uma coisa é a pessoa estar passando por um problema e você ajudar, dar a mão e puxar do buraco. Outra é a pessoa se jogar repetidamente no mesmo buraco, por opção e depois em vez de sair sozinha voltar a te pedir ajuda de novo e de novo... Aí você olha apara trás e vê quanto tempo da sua vida você dedicou a dar a mão e a pessoa não mudou e se joga de novo porque sabe que você vai se lascar para ajudar. É responsabilidade minha permitir ser manipulada assim. Eu permiti.
Véi, eu sou muito permissiva. Que merda. O pior é que quando preciso de alguém, só alguém para me ouvir, ou eu tenho que escrever aqui ou pagar psicóloga. Sou a besta que escuta todo mundo e na hora que preciso...
Bem, é injustiça, tenho duas amigas lindas que posso contar com o ouvido amoroso.
Como pode ter tanta gente que só vê o próprio umbigo e não percebe que você também precisa de ajuda?
Mas isto acontece por quê? Por que eu permito. Como mudar?
Bem, atualmente nos “encontramos” apenas por WhatsApp. Sempre mando mensagens para as amigas para saberem como estão. Principalmente as que trabalham na área da saúde. Então esta semana decidi não mandar mensagem para ninguém. Vamos ver quantas percebem minha ausência. Será vitimismo demais?
Não estou numa boa vibe. Não quero ficar em casa só lembrando de coisas ruins. Mas também não quero voltar a jogar purpurina em tudo e colorir lembranças que na verdade têm com de cinza. Queria tanto estar com grana para fazer terapia online.

11 de maio de 2020

Isolamento com Dengue




               

               Ok, não posso elogiar nada que estraga.
               Fui dizer que estava bem no isolamento no dia 24. Dia 28\29 a febre me pegou de jeito, uma dor na coluna que nunca havia sentido antes. Rolei de dor por duas noites, tentei ir fazer o teste rápido do Covid-19, não consegui.
               Consegui marcar para dia 04 o teste do Covid_19 e da Dengue. Nunca passei tão mal na vida, desidratação, diarreia e vômito, dor de cabeça, febre de 39 graus que nada fazia abaixar.
                Chegou dia 04:
COVID-19 : NEGATIVO
DENGUE : POSITIVO
               Eu nunca podia imaginar que dengue era tão ruim, sério. Pensava que era dores de cabeça, no olho e febre, mal estar de febre.  Como eu estava errada.
               O médico mandou tomar uns 5 a 6 litros de soro + água por dia. Mas eu vomitava. Comecei a tomar Dramim B6 para aguentar tomar tanto líquido. Funcionou. Mas substituí o soro por água de coco. Só quando consergui ficar hidratada, as dores amenizaram e tudo foi melhorando.
               Exames de sangue dia sim dia não para acompanhar PLAQUETAS, HEMATÓCRITOS e LEUCÓCITOS alterados. Se não melhorasse, internação. E o medão de entrar no hospital com Dengue e sair com Covid-19????
               Tudo estava com gosto horrível, mas comi para as plaquetas aumentarem. Eu que vivo tentando comer menos, fazer dieta, tive de usar todo meu controle mental para conseguir comer.
               Minha prima teve Dengue ano passado e pegou Covid-19 este ano. Não precisou ficar internada mas sofreu. Ela falou que Dengue é muito pior. Acredito nela mas não quero ter a chance de comparar.
               Enfim. Nunca mais elogio nada, não faço planos. Às vezes tudo parece bom e vem um mosquito, escuta sua felicidade e te derruba.
               Hoje 14 dias após o início dos sintomas, graças a Deus foi o primeiro dia que consegui ir ver meus pais, levantar da cama direito e não sentir dor.
               Uma dica, banana e dengue aumenta a dor de cabeça. Sério, infelizmente eu fiz o teste. Não sei por que mas é real. Pelo menos comigo aumenta a dor de cabeça.

24 de abril de 2020

Tenho que confessar, estou adorando o isolamento


             



             Tenho que confessar, estou adorando o isolamento. Não estou dizendo que estou gostando da doença ou da Pandemia. Nunca. Mas estes dias em casa, sem precisar sair, não precisar justificar ou dar desculpas para não sair me deu um tempo para descansar emocionalmente do convívio forçado com o mundo. Meu estilo de vida agora salva vidas.
               Também estou tranquila porque meu pai melhorou e a cuidadora nem precisa ficar mais na casa deles. O que é muito bom porque minha mãe não aguentava mais tanta gente entrando e saindo da casa dela e minha mãe também está podendo descansar. Era empregada, filhas, netas, cuidadora, enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, geriatra... Aff. Agradecemos o plano de saúde ter fornecido todo este aparato em casa, mas é absurdamente cansativo, zero privacidade, a casa vira hospital, é um desgaste emocional absurdo. Minha mãe sofreu. Agora só a empregada vai três vezes por semana lavar as roupas, porque todo dia tem que trocar as roupas de cama, porque a urina sempre vaza da fralda à noite, aí pela manhã troca roupa de cama, pijama, coberta. Lava banheiros, da uma geralzinha. Mas ela é super cuidadosa. Chega, toma banho antes de começar fazer as coisas, usa muito álcool. Tudo certinho.
Meu pai voltou a ir ao banheiro sozinho, vestir a própria roupa e ir vagarosamente de andador, almoçar na cozinha. Parece mentira que estas três atividades salvaram nossa sanidade.  Mas ainda usa falda porque não controla a urina direito. A noite não controla nada.
               A única coisa que me incomoda é não poder ir lá na casa dos meus pais, meu filho sai todos nós somos de risco. Só saio de casa para fazer coisas para eles. Tirar dinheiro do banco ou comprar alguma coisa. Mas em geral, meu filho está sendo o que faz compra para nós, para os avós e para tia e amigos que precisarem. Ele está podendo trabalhar de casa.
Tive sintomas gripais, todos os sintomas do COVID-19 menos a febre. A minha médica me consultou por Whatsapp e mandou ficar em casa. Se tive não sei, acho que não, mas o risco para mim é enorme, porque só de tomar banho eu canso, fico ofegante, nem quero imaginar. Mas tive de me afastar por completo dos meus pais. Quando levava algo, deixava na varanda, passava álcool e conversava pela grade depois. Ainda estamos fazendo isto, mas agora já me liberaram para conversar na varanda e voltar a fazer a barba do meu pai.
               Tirando a preocupação normal com os familiares e de pegar este vírus. Estou curtindo. Nunca fui tão sociável. Kkk
               Primeiro as meditações coletivas pelo Youtube (ao vivo), lives no Instagram ou pelo Zoom. Tem em 5 horários diferentes, geralmente escolho 2 horários, o das 6 horas da manhã e outro. Todos os dias. Veja que maravilha, sempre meditava sozinha e ia a meditação coletiva quando meu humor bipolar permitia. Não perco mais nenhum aniversário pelo Zoom . A internet está péssima por ter tanta gente usando, então posso abandonar as festas e colocar a culpa na internet. Que perfeito.
Ninguém no meu pé cobrando nada, meu filho é da paz total, fica no quarto dele trabalhando, conversando pela internet, sai só para as compras. No trabalho só vai se precisar. Só precisou ir 3 vezes. Eu até acho que ele se voluntaria para ter uma desculpa para sair, mas nesta ele está salvando vidas, ajudando muito. Quando chega se higieniza. Sou proibida de sair porque sou do grupo de risco. Tenho asma e minha capacidade pulmonar era de 40% sem medicação e 50% com, agora não sei se melhorei. Não fui fazer os exames e só irei talvez ano que vem. Dispensada pelo médico. Meu psiquiatra me dispensou, deixa as receitas na clínica e se eu precisar de algo é para mandar um Zap.
Minha vizinha pirou com o isolamento, entrou em depressão, começou a beber. Tenho um pé de mexerica que dá muita fruta. Colho, levo na porta da casa dela e grito: _ Mexerica, sei que não quer ver ninguém, mas mostra a cara para eu saber que você está viva senão chamo o bombeiro. Na primeira semana ela só mostrava as mãos dando tiau e agradecia as mexericas, só ouvia a voz. Depois começou a mostrar o rosto. Ontem foi no portão pegar a sacola que deixei pendurada no portão. Ela envelheceu uns 10 anos neste isolamento. Entrei em casa e chorei. Nem pude dar um abraço. Mas vou continuar cuidando dela assim, de longe, levando presentes e mandando vídeos bestas. É o que posso fazer porque nem celular ela quer atender.
Mas enfim. Estou bem, com as preocupações e cuidados  normais, mas sem paranoia, e vocês? Me contem como estão lidando com a bipolaridade\ depressão e o distanciamento social. Vamos nos ajudar.
#fiquememcasasepuderem

4 de março de 2020

Dei uma de louca hoje





Caraca, estou tão nervosa hoje. Fui cortar cabelo e passei onde eu trabalhava para ver as amigas. Quando elas me perguntaram como eu estava eu me descontrolei.
Despejei minha angústia nelas:
_ Quero morrer, não aguento mais o comportamento do meu pai, ele vai matar todas nós, minha mãe vai morrer antes dele, não aguento mais estas coisas que ele faz...
Agora estou me sentindo mal.
Primeiro de ter dado uma de louca desvairada.
Segundo que ficou parecendo que não amo meu pai e que ele não tem um lado bom.
Estou só exausta e com meus problemas emocionais tudo isto é muito para mim. Dormir fora de casa é uma tortura, aliás, ultimamente sair de casa é uma tortura. Quero ficar na minha cama quietinha.
Aff. Tô mal. O Namastê passou longe...

3 de março de 2020

Tortura mental





“Nada pesa tanto quanto o coração quando está cansado”.
-José de San Martín-

“Agressão psicológica não é tipo de agressão que visa primeiramente afetar o indivíduo psicologicamente, ficando a violência física em segundo plano”. É uma violência que ocorre sempre em uma relação desigual de poder, em que o agente exerce autoridade sobre a vítima, sujeitando-a a aplicação de maus tratos mentais e psicológicos de forma contínua e intencional.
A forma como é feita a tortura psicológica não provoca dor física em nenhum momento, mas a humilhação. O estresse e angústia causados podem deixar cicatrizes psicológicas permanentes.
Pessoas que sofrem a tortura psicológica muitas vezes precisam de tratamento para poder superar o trauma. Caso não seja tratado de forma adequada, pode levar ao suicídio ou afastamento da sociedade.”


Como uma pessoa pode enlouquecer tanto, tantas pessoas ao mesmo tempo ao seu redor?
Meu pai melhorou do pós-cirúrgico e saiu da fase da demência pós-cirúrgica, mas o comportamento dele não posso dizer que melhorou.
Temos que trocar a fralda na cama porque ele diz que não consegue mexer as pernas, para coloca-lo na poltrona do quarto dele, praticamente tem que ser carregado. A família é de mulheres, difícil carregar um homem grande.
Quando ele melhora, ele fica mal humorado, finge não conseguir fazer as coisas, mimado, egocêntrico. Este trabalho todo para carregá-lo, colocar na cadeira de banho, trocar fralda na cama... Eu falei para minha mãe que mais de 50% é manha. Ela não acreditou muito.
Ontem, ele dando os ataques dele, que consiste em gritar com quem está por perto, gritou com minha mãe. Levou uma bronca dela, minha mãe é elegante, inteligente, sempre foi independente, aliás, ela que banca tudo, teve sabedoria financeira para fazer uma reserva para a velhice.
Então, minha mãe falou para ele baixar o tom de voz com ela e apelou. Meu pai então fez birra e quis ir para a cama e não quis mais ajuda. Minha mãe sempre vai olhar como ele está, de jeito que ele não a veja. E não é que ela o pegou em pé, corpo esticadinho, indo para a poltrona dele sozinho, sem ajuda nenhuma ou alguém por perto????
Ele está fingindo estar muito mal. Está doente sim, mas não tanto. Ele nem vira para o lado sozinho para trocarmos a fralda, temos que virá-lo e é muito difícil e cansativo. Ontem ele “esqueceu” que ele “não consegue virar, que não tem forças para mexer o corpo” e virou sozinho quando eu trocava a fralda.
Nem sei o que pensar, o que dizer. Ele está fazendo tortura mental conosco. Por quê? Não, não é demência não. É calculado. Estou exausta. Com raiva do comportamento dele.  A família toda não tem mais vida. Se tiver três pessoas na casa, ele grita cada hora uma e inventa coisas para pedir para cada uma. Não podemos nem assistir TV.
Minha mãe quer morrer. E eu todos os dias que durmo com ele, quando o escuto inventando coisas na madrugada, também quero. Ele agora acorda 2h, 3h da manhã para pedir o controle da TV. Aí pergunto, quer assistir TV? Não, só quero o controle perto de mim. Aí passa 1h ou menos, grita de novo para guardar o controle da TV. Fica nisto dia e noite, só para irritar. E se você demora mais de 10 segundos para estar em pé ao lado da cama dele, ele grita por socorro.
Pedimos para ele parar de gritar por socorro sem motivo. Sabe o que ele respondeu? _ Grito para os vizinhos ouvirem e denunciarem vocês por maus tratos, porque demoram a vir quando eu chamo, vocês têm de ficar de prontidão para fazer minhas vontades porque sou um homem doente. Na verdade ele acha que mulheres devem “servir” os homens da família.
E é nítido quando ele faz estas coisas por estar com demência e quando faz só para mostrar que manda e temos que obedecer porque ele é doente.
Acredito que como ele perdeu a força física e não nos amedronta com os gritos que ele dava como quando éramos mais novas, ele arrumou um meio de continuar no poder com relação às mulheres da família. Ele usa a chantagem emocional, a manipulação... Foi a forma de continuar ser o macho Alfa. Isto não justifica, até porque se ele tem capacidade de arquitetar isto, ele tem capacidade de perceber o tanto que ele está nos esgotando física e mentalmente.
Meu Deus. O que o Senhor quer de mim?
Só quem já cuidou de idoso sabe o que é e como é. Antes eu julgava quem ficava cansado e queria um fim de semana de descanso dos pais ou avós doentes. Nunca mais falo nada. Tem que viver isto para saber como é duro.
Medito faço minhas orações, peço amor e compaixão no eu coração e vou para a casa dos meus pais. Chego beijo, converso com amor, fico com peninha porque está frágil e magro. Olho com amor e piedade. As vezes ele até conversa por um tempo numa boa.
Não passa muito tempo ele começa a tortura mental. Continuo fazendo tudo, mas aí já faço apenas por obrigação e não mais por amor. Não queria que fosse assim. Minha irmã e minha mãe agora só fazem por obrigação, porque ele acaba com elas. Eu como sei ser mais dura, fico muda e respondo, com respeito de mas respondo. Ele pensa antes de falar algumas coisas, mas aí para compensar, ele solta o corpo e não ajuda e inventa mais coisas para pedir. Não entendo, não entendo mesmo...
Quando ele morrer todas nós estaremos muito doentes e o pior que mesmo sabendo que fizemos tudo por ele até mesmo além de nossas forças e prejudicando nossas vidas pessoais e filhos, ainda sentiremos culpa dos momentos que tivemos raiva dele.


10 de fevereiro de 2020

A morte deve ser uma boa opção



Hoje especialmente estou sentindo-me cansada. Meu pai ficou 15 dias na UTI, eu dormia lá e minha irmã ficava de dia. Agora ele está em casa.
Como sempre ele teve demência pós-cirúrgica, não parou de falar, nos cansou, mas ele não tem culpa disto.
Chorei todos os dias que fiquei na UTI, mas enquanto estava lá vi pacientes bem piores no comportamento que meu pai. Uma mulher gritava a noite toda, blasfemava, jogava coisas nas enfermeiras, outros fazendo cada coisa... Além de ofenderem enfermeiros e familiares. Vendo aquilo achei meu pai até bonzinho só que ele fala, pergunta sem parar, não permite que você fique em silêncio, se calamos ele apela e diz que está sofrendo maus tratos.
Não adianta, se eu não durmo a noite, de dia não reponho, consigo dormir no máximo 2h à tarde.
Conseguimos uma cuidadora para passar o FDS. Pude dormir e cuidar um pouco da minha casa. Chegar em casa depois de uma noite sem dormir, ou apenas dando cochiladas é ótimo, mas quando a casa está suja e fedida, só quero chorar. Tenho 10 gatos, tenho que limpar manhã e noite. Quando estou em casa mantenho bem e fica limpo. Mas estes dias, eu chegava, dava um limpadinha (sou mineira, adoro diminutivo) e deitava, mesmo que não conseguisse dormir, eu deitava.
Tenho TAB, fibromialgia, hérnia de disco, bursite. Sinto dor, tenho que fazer repouso. Estou tão cansada e mal humorada. Tem dia que não tenho vontade nem de comer ou tomar banho para poder ficar mais um tempinho na cama, nem falar eu quero, porque já passei a noite tendo que falar por 12h seguidas explicando as coisas para meu pai e respondendo aos seus delírios. Como é cansativo. É cansaço físico, mental, emocional e vocal. Não tenho como fugir disto, só morrendo mesmo.
Andei descontando no meu filho e ele é tão bom para mim. Meu Deus, só queria ser saudável, bem disposta, cheia de energia. A diarista da minha irmã faz faxina de segunda a sábado e academia à noite. E ainda luta Jiu Jitsu nos finais de semana. Tenho que confessar, sinto inveja.
Choro todos os dias. Choro de dó do meu pai, da minha mãe, de revolta ás vezes pq minha vida de aposentada se resumiu a ser cuidadora de gente e bicho. Passo a noite trocando fralda de homem velho e de dia cuidando limpando cocô e xixi de gatos. Pq tenho 1 gato com Felv e coitado, não está conseguindo chegar na areia ás vezes e vomita, mas vomita muito. Amo bichos, principalmente gatos, mas depois que meus bebês se forem, não quero mais. Tenho que mudar de vida no futuro. Quero casa limpa, não aguento mais ver cocô e xixi.
Minha vida está tão chata que só penso em morrer. Não vou me matar porque não vou deixar meus gatos para meu filho cuidar, coitado. Mas atualmente só penso em como morrer deve ser bom.


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22 de janeiro de 2020

Até quando?



Estou aqui me perguntando:
_ O que o Universo reservou para mim?
Bem, já mal começou o ano e já estou às voltas com doença. Meu gato de 11 anos está com FELV, ou seja, limpo vômito fedido e diarreia de gato o dia inteiro, coitado, está com câncer no intestino. Meu pai vai operar de novo, o câncer voltou, ou seja, trocarei fralda com cocô e xixi de adulto a noite inteira. Que doença horrível este tal de câncer.
Minha vida vai ser assim até quando?
Vou voltar a ter uma vida “normal” novamente. Normal... Digo: Acordar, arrumar casa, cuidar de bichos, poder caminhar, assistir séries, fazer crochê e estudar inglês novamente?
Nunca consigo fazer planos, é só querer viajar, me inscrever em algum curso que tudo desmorona. Pq? Pq? PQ? Tem que ter alguma explicação. E não venham falar de auto-sabotagem pq tudo que acontece está além de minhas decisões. São doenças dos outros, problemas familiares que tenho que ajudar, reparos na casa que acabam com meu dinheiro...
Estou tão cansada. Tão de saco cheio da minha vida. Não temos controle nenhum sobre nada né?
Bendita bipolaridade que me fez fazer muitas loucuras na vida. Sem ela minha vida teria sido “normal”. Pelo menos eu vivi umas três vidas em uma. Bebi mais que devia, tive mais namorados que algumas pessoas em umas duas encarnações, saí muito, ri muito, chorei muito, gastei muito, mais do que eu podia. Tudo foi muito intenso na minha vida. E pensando bem... Graças a Deus, porque agora eu não tenho vivido, só sobrevivido, levando a vida com a barriga.
Se não fosse a bipolaridade eu não teria tantas lembranças boas. As ruins eu resignifiquei e transformei em boas agora. Lasquei-me com aquele namorado??? Tento lembrar só das coisas boas que vivi, sem pensar com quem foi porque eu saí muito, bebi muito, transei muito, ri muuuuito, fui a muitos lugares que hoje não teria coragem de ir, festa que participei coisas que comprei bebidas que experimentei...
Preciso disto, é fuga? Talvez. Mas é o que está me mantendo sã. Minha vida não está mole não. Está se limitando a limpar xixi, cocô e vômito de gente e gatos. Aff
Mas tenho um filho maravilhoso que é a razão da minha sanidade e meus gatos que me enchem de amor. Mas estou cansada, sei que meu pai está muito mais cansado do que eu, sofro também ao vê-lo sofrer, nunca o abandonarei ou tratarei mal, mas as vezes quero sumir por uns dias para um lugar limpo, que eu não tenha que arrumar nada, que eu possa ver uma linda paisagem da janela do quarto ao acordar...
Estou com tanta pena dos meus pais... meu Deus. Deve ser a 15ª cirurgia do meu pai. Não aguento mais vê-lo sofrer...
Vai passar, vai passar...

20 de janeiro de 2020

Hora de cuidar dos pais idosos




Hoje estou particularmente sensível. O câncer do meu pai voltou e ele vai operar novamente esta semana.
Estou com muita pena dele, está velho, já passou por tanta coisa, por esta cirurgia que vai fazer, já passou quatro vezes por ela. Não sei como ele consegue recuperar e sobreviver. Acho que ele ama tanto a minha mãe, que se recupera para não dar trabalho para ela e não deixá-la sozinha. Mesmo ele doente, precisando de ajuda para tudo, ele ainda coloca moral na casa e do jeito dele cuida da minha mãe e da casa. Porque ele da conta de tudo e fica cobrando atitudes. Tipo: Está na época de mandar lavar a caixa d’água. Época de podar as árvores. Pagaram isto? Arrumaram aquilo.
Ele vigia tudo e liga para virem arrumar as coisas. Mas nós, ou seja, mais minha mãe que tem que dar conta de tudo, porque ele mal anda de andador.
Mas aí, quando ele opera, ele tem a tal demência pós-cirúrgica que acontece por causa da anestesia. Dura uns dois meses. A cada semana melhora um pouco, mas são dois meses de tortura. Ele nos adoece, nós piramos junto. (só quem já passou por isto sabe o que é e pode dar conselhos). Ficamos exaustas, muitas vezes até com raiva, e em seguido com culpa. É um tormento.
Estou com pena dele, mas só de pensar nestes dois próximos meses eu entro em pânico. Ele não dorme, nos chama dia e noite sem motivos, só para nos torturar (tá, ele está “doidinho") Mas chegamos ao nível de exaustão. Passado os dois meses ele começa a melhorar e nós todos já estamos doentes. Sério, no mínimo uns seis meses para nos recuperarmos. Corre o risco de morrermos de cansaço antes dele.
Mas, vamos enfrentar. Ele foi um bom pai e merece muito amor. Mas não consigo deixar de pensar em mim, egoísmo? Sentimento de auto-preservação? Não sei, só sei que não consigo parar de chorar em pensar no que me aguarda.
Que o divino criador Adi Shakti me proteja e me encha de saúde física e mental. Que eu sobreviva e consiga ajudar meus pais.
Agora é hora de cuidar deles.

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