desabafosbipolares@hotmail.com
Mostrando postagens com marcador depressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador depressão. Mostrar todas as postagens

24 de maio de 2024

Anedonia




Ultimamente ando sentindo-me emocionalmente vazia, anestesiado, congelado, desconectada.

Até tenho vontade de fazer algumas coisas, mas só em minha casa. Mas pouco consigo fazer. É como se eu estivesse em algum tipo de loop infinito uma rotina de acordar, sobreviver, tentar dormir.

A Dra. Ana Beatriz Barbosa falou “SE VOCÊ NÃO ENCONTRAR O SEU PROPÓSITO DE VIDA, A NATUREZA TE ELIMINA). Isto me assustou. Qual o meu propósito se eu não estou conseguindo fazer nada? Vou ser eliminada?

Acho que vou voltar a fazer terapia. Mas tenho que confessar que tenho preguiça só de pensar em pedir um Uber, mas eu preciso de ajuda, não quero ser eliminada. Tenho tantos dons. Toco piano (não toco a anos por causa da coluna), faço mandalas, zentagle, sou excelente no crochê. Mas não consigo fazer. Esta semana resolvi fazer um detox de internet. Passei um dia sem ligar o celular e nem a TV. Fiz muita coisinha que precisava, arrumei gaveta, armário, arrumei a casa, desmontei a vassoura elétrica, kkk. Deis ajude que ela não exploda depois.


          Fiz tudo isto depois de um sentimento de exaustão mental. Fiquei com tanta raiva de atitudes da minha família. Pediram a minha ajuda e depois disseram que fui exagerada na forma de ajudar. Noooossa! Percebi que tinha passado o dia inteiro em função deles, resolvendo pelo celular, mas nem limpar a areia dos meus gatos (que é a primeira coisa que faço no dia) eu tinha feito.

Fui na minha vizinha, conversei, ri muito com casos dela e percebi que minha família me faz mal. Desliguei celular, fui assistir TV e vi que não estava conseguindo ouvir vozes, que eu estava lendo legenda sem som. Aí decidi, amanhã fico desconectada.

Foi bom, sei que estão falando horrores de mim. Conheço a dinâmica familiar. A muito tempo não me sentia tão livre. Liguei o celular uma vez pq lembrei que eu tinha que confirmar um exame e para saber se meu filho estava bem. Fiquei me sentindo livre. Meu filho neste dia só ia chegar depois das 23h. Fiquei no silêncio, cantei, peguei mexerica no pé, tinha até esquecido que meu pé está carregado. Meditei, cantei, contemplei as árvores, os pássaros, meus gatos.

Sempre fico pesquisando hotéis fazendas para eu poder ficar em silencio. Não preciso, é só desconectar. Meu lote não é tão grande, mas na frente da minha casa tem uma mangueira linda, cheia de pássaros e o pé de mexerica, uma garagem grande cheia de suculenta. As redes sociais estavam roubando a capacidade de enxergar a beleza da frente da minha casa. Redes sociais também deprimem e geralmente quando não estou bem fico navegando o dia todo.

Depois que ouvi a palestra da Dra. Beatriz, fiquei pesquisando o que posso ter e como melhorar. Realmente a palavra eliminar mexeu comigo. Descobri o que tenho, ou com que estou, porque não me pertence. Anedonia, mas dois outros nomes que estão no final também fazem sentido.

Não coloquei fonte porque fiz um apanhado de vários sites e coloquei meus pitacos. Vários sites têm a mesma definição, até porque (nunca sei usar os porquês) definição não se muda.

 

O que é Anedonia?

Anedonia é a perda da satisfação e interesse em realizar as atividades do dia a dia, como sair de casa, tomar um café com os amigos, passear com o cachorro, levar os filhos num passeio diferente, fazer um exercício físico que antes eram consideradas agradáveis. A pessoa também sente dificuldades de concentração; alterações do sono, podendo haver insônia ou sono excessivo; e a diminuição ou perda da libido. Geralmente, é observada em quadros mais intensos de depressão.

Importante não confundir com a apatia que é a diminuição da excitabilidade emocional.

 

Os principais sintomas da anedonia são:


  • ·        a perda de interesse por atividades que se realizava anteriormente;
  • ·        dificuldade de concentração;
  • ·        alterações do sono, podendo haver insônia ou sono excessivo;
  • ·        e a diminuição ou perda da libido.
  • ·        desinteresse no contato com a sociedade ou em realizar atividades com outras pessoas. 
  • ·        o indivíduo parece estar emocionalmente vazio, anestesiado, congelado, sem sofrer alterações de humor, independentemente do que aconteça ao seu redor. 

 

 

Qual o tratamento?

O tratamento dependerá da intensidade do sintoma e a associação com outros possíveis sintomas de depressão.

  • ·        Fazer atividade física constante; (haha, não tenho vontade nem de andar);
  • ·        Ter uma boa alimentação; ( e a preguiça de cozinhar e ir fazer compras?
  • ·        Faça planos de curto, médio e longo prazo. (até faço, mas não consigo colocar em prática);
  • ·        Ter um sono regular; (haha);
  • ·        Criar momentos de lazer. (Netiflix, Prime vídeo, Max...);
  • ·        Meditar (estou tentando voltar a fazer todos os dias);
  • ·        Fazer terapia (embora a maioria das pessoas com anedonia não aderem a terapia pelo simples fato de não quererem sair de casa ou até mesmo conversar. Tipo eu, tenho preguiça de recomeçar e de ir a psicóloga, pq pelo menos a primeira consulta tem que ser presencial);
  • ·        Exercício de respiração;
  • ·        Acupuntura e massagens também são alternativas recomendadas, pois ajudam a acalmar a mente, diminuindo os pensamentos negativos. (o meu problema é conseguir sair de casa para fazer isto. E precisa de dinheiro)
  • ·        É importante a participação da rede social da família e amigos. (hahaha, se a minha família participar eu pioro. Amigos, hoje tenho poucos porque se você não serve como motorista, não serve;

·        Caso necessário tratamento medicamentoso. (tomo, de forma contínua, Bupropiona 2 comprimidos por dia).



O que significa a palavra Avolia?

Abulia (ou Avolia): é uma redução ou até abolição das atividades volitivas (pertencentes)  do indivíduo, com perda de interesse e motivação para quase tudo, iclusive no que se refere a higiene e auto cuidado. Falta de Sociabilidade: refere-se à ausência de interesse em interações sociais.

 


O que é debilidade emocional?

Tristeza excessiva que aparece de repente e sem explicação; Apego ou desapego exagerado a outras pessoas.

 

 

.


21 de dezembro de 2023

Dezembro de perdas e tristeza


 

               E dezembro veio mostrar a que veio. Mostrando que minha intuição está afiada.

              Eu estava preocupada com meus gatos e a fatura do cartão, pois bem. Depois de ter os 3 gatos precisando internar e tratar depois do calorão, uma delas a de 7 anos, piorou e dia 11 amanheceu morta. Meu gato de 12 anos piorou, está internado e não tem cura, ele tem PIF  (peritonite infecciosa felina), provavelmente terá recaída e o veterinário já falou em pensar na possibilidade de eutanásia na próxima recaída, pq o sofrimento dele será cada vez pior.

              E hoje, outra gatinha, de 10 anos, amanheceu muito ruim. Ontem a noite ela estava vomitando uma gosma e com diarreia, esperei amanhecer para levar ao veterinário, mas quando levantei de madrugada, vi que não tinha mais jeito. Cedo a aconcheguei e esperei o veterinário que a acompanha chegar na clínica, enviei mensagem avisando que  ia levar. Vi que ela estava em sofrimento, primeiro pensei em deixá-la morrer em casa, protegida e tranquila, mas ela estava sofrendo, então peguei uma coberta e a coloquei a aconcheguei com amor para levar e acelerar, acabar com o sofrimento. Não deu tempo, morreu sendo amada, recebendo carinho a caminho para o vet.

              Estou tão triste. Foi tão difícil ver seu último suspiro. Nunca estamos preparadas para isto.


14 de março de 2023

Não planejo mais nada

 

          Tenho tentado viver um dia de cada vez e já está foda.

          Sempre fui de fazer planos e a cada ano diminuo a quantidade e tamanho do meu planejamento. Em tudo, dieta, exercícios, alimentação, passeios, cursos, viagens....

          Ano passado operei os olhos e voltei a enxergar, tentei retomar meus cursos e a atenção tinha mudado de endereço. Pensei estar bem e agora enxergando por onde podia andar e fui caminhar, detonei o joelho. Sarei o joelho, a depressão me pegou de jeito. Melhorei da depressão, peguei uma conjuntivite viral que custou a sarar e o olho esquerdo voltar a ficar "normal".

          Sempre que eu planejo alguma coisa vem Murphy e muda meu caminhar. Não planejo mais nada. Acordo e vejo o que vai acontecendo durante o dia. Ao final do dia, se eu tiver conseguido fazer algo produtivo, agradeço ao Divino.

          Continuo matriculando em cursos online. Se eu conseguir fazer bem, se não consegui, amém. As obrigações, coisas que não tem como não fazer, tento fazer assim que acordo e ficar livre para ver se consigo fazer qualquer coisa. 

          Ontem acordei, limpei a areia dos gatos, caminhei com meu cachorro, comprei livros de 1,99 para o Kindle. Assisti uma live sobre vinhos (desculpa para tomar vinho), consegui ir ao mercado sem ter crise de pânico com medo do mundo. Arrumei uns vasos de suculenta e me senti a mulher mais feliz do mundo. 

          Se no dia eu consigo fazer qualquer coisa extra, tipo assisti um filme, ler, ir ao mercado, conversar com uma amiga, agradeço à Deus e a mim mesma. Eu falo comigo mesma que estsou de parabéns e depois conto tudo para meu pai. (Eu converso com a foto dele que fica na geladeira).

          Meu pai, meu melhor amigo, faz falta. Mas agora eu posso atormentar o ouvido dele e ele não pode reclamar ou inventar que tem que ir ao banheiro ou comer para eu calar a boca. Ele tem que me escutar.

          Eu já ia falar: _ Eu queria... Mas não vou falar, escrever e nem pensar, porque é certeza que se eu pensar, vai dar errado.

          Onze horas agora e já consegui ajeitar a casa, pendurar roupas e passear com meu cachorro. O que vier pela frente é lucro. E consegui vir aqui escrever. Que Deus me ajude!

          Minha gata adoeceu e eu prometi ficar 7 dias sem açúcar se ela melhorasse, ela melhorou. Sete dias sem açúcar e sete dias querendo matar um.




.

8 de março de 2022

Estou tão triste

 


Eu estou tão mal, mas tão mal... não consigo parar de chorar, sem motivos, sento e choro. Não tenho ninguém para conversar. Tem meu filho, mas não vou ficar chorando perto dele, ele me ajuda tanto, é tão bom para mim, uma presença tão leve.

Não tenho vontade de fazer nada, estava ficando dias sem nem ir para o portão da minha casa. Aí apareceu um cachorro pequeno e bem velho, entrou pela grade e ficou. Tão lascadinho, mancando, dolorido...

Resumindo, estou cuidando dele, com certeza foi abandonado. Procurei seus donos por tudo que é lugar físico e na internet. Pedi tanto a Deus para me ajudar a movimentar, sair desta letargia, aí aparece o Joey na minha vida.

Ele é um pinscher, educadinho e territorial. Não pude colocar dentro de casa por causa dos meus gatos. Comprei uma casinha, ele fica dentro da garagem. Mal desembalei a casinha e ele entrou e já rosnou para eu não mexer nela. Kkk

Mas graças a ele saio de casa 2 vezes ao dia para passear com ele. São caminhadas bem pequenas. Se eu andar muito, ele começa a mancar e tenho que voltar com ele no colo. Meu velhinho deve ter artrite. Ele é bem amoroso, vou cuidar dele e nunca o abandonarei.

Meu filho sai para trabalhar e eu choro o dia inteiro. Meus bichos ficam envolta de mim tentando me consolar, é lindo.

Antes de ontem a gatinha da rua que eu cuidava morreu na minha frente. Foi tão triste. Cuidei bem dela, até castrei. Não podia colocar dentro de casa para ela não passar FIV e FELV para meus gatos, pq ela tinha. Mas ela também morava na garagem, tinha caminha, ração, água, sachê... ficava tudo em cima de uma mesa. Como minha rua não tem saída, ela ficava segura e eu sempre achei que ela tinha um dono que não cuidava direito, pq quando ia chover, ela corria para outro lugar. Tinha algum lugar que ela se sentia mais segura. A morte dela acabou comigo.

Meu psiquiatra dobrou a dose de Bupropiona e disse que se não adiantar vai voltar com a Venlafaxina. Bem, vai fazer 1 mês que dobrou a dose e não fez diferença nenhuma. Eu quero melhorar, a 10 anos não tinha uma crise. Preguiça de fazer terapia. Na verdade não tenho forças nem para falar.

Queria arrancar esta dor do meu peito, esta tristeza. Meu Deus, me ajude!!! Preciso de ajuda. Não estou aguentando. Quero ficar bem novamente.

 

23 de janeiro de 2022

Estou antissocial, letárgica, sem vontade, sem ação


Estou naquela fase de hipersonia.

Antes eu estava justificando assim:

_Estou assim por causa do luto ou por causa da chuva que não para, ou por causar causa do frio, não, é por causa da gripe, da alergia...

Não tem mais nada disto, então, apesar de eu não querer aceitar, a depressão está chegando devagar.

Minha consulta seria antes de ontem, mas... meu médico pegou Covid, ele e toda sua família. Consulta transferida para daqui a 25 dias.

Costumo dormir tarde , mas acordo cedo. Costumo acordar com a claridade, nem preciso de alarme. Mas cada dia tenho dormido mais e mais. Hoje acordei as 10h.

Sempre pela manhã eu cuido dos meus gatos. Limpo areia, brinco, ajeito o que tem para ajeitar. Minha casa é quente, gosto de fazer tudo pela manhã porque está mais fresco. Qualquer coisa tiro uma soneca a tarde. Eu não funciono a tarde.

Sei que estou muito preocupada. Fico preocupada com minha mãe 24 horas por dias, ainda mais depois que meu pai se foi. Preocupada com a família, esta variante Ômicrom se espalhando, pessoas da família com Covid, mas todas com as 3 doses da vacina, então os que pegaram estão bem, sintomas leves. Mas ainda preocupa.

Mas não acho que seja isto. A minha letargia está demais. Cada dia enxergo menos, devo fazer a cirurgia de catarata em Março (assim espero) e isto é outra preocupação. Mas o que perdi de visão com o glaucoma, não tem como corrigir. Sinto desejo de arrumar a casa, de fazer várias coisas. Mas só desejo, não consigo colocar em ação. Vejo pessoas com projetos, fazendo várias coisas, indo trabalhar e penso, “não conseguiria nem ficar de pé”.

E por falar em ficar de pé, eu não estou conseguindo mesmo. Fico tonta, canso, fico ofegante. Antes achava que era por causa da gripe. Não é. Eu estava medindo temperatura, aferindo pressão, verificando oximetria... queria achar uma explicação. Cardiologista: OK. Endocrinologista: OK. Pneumologista eu não fui, está lotado, cheio de casos de sequela por Covid. Não consegui ir. Então, fisicamente não tenho nada que justifique. Fiz todos os exames. A pressão arteriaç estava elevada por causa do colírio do glaucoma mas o cardiologista já resolveu isto

A bicicleta ergométrica e o elíptico estão aqui me olhando. Tenho que enfrentar. Até pegar o telefone para ligar para resolver qualquer coisa eu fico com preguiça. A frente da minha casa está com capim e eu tenho preguiça de chamar o cara que cuida disto pra mim. Penso: “vou ter que receber, conversar, tirar dinheiro para pagar, servir café”. Ele é super legal, ele amava meu pai, gosto demais dele, virou amigo da família, super agradável, mas mesmo assim... preguiça.

Esta semana um amigo mandou msg e disse assim: Oi, que tal você fazer um café na sua casa e me chamar, tenho novidades para contar” Passei até mal. Respondi dizendo que estávamos gripados e teria de esperar um pouco. Não menti, ainda não tinha feito o teste para saber se era Covid, não era. Mas pensei. Véi, conta logo por mensagem, pra que querer vir a minha casa? Que saco. E ainda por cima lembrei que ele tem TOC. A casa dele é tudo tão limpo e arrumado por cor e tamanho e eu mal consigo arrumar a casa e nem enxergo se está sujo, vai no tato. Tive crise de ansiedade. Quero ficar só na minha casa. Não quero visitas.

Eu queria ter a minha casa super arrumada, sofro por não conseguir. Mas também não é bagunçada e suja. É ajeitada fica limpinha quando a diarista vem. Mas eu mantenho direitinho e meu filho ajuda. Só para esclarecer.

Não quero ninguém na minha casa....

E esta semana um vizinho pediu para guardar o carro aqui em casa, ele pagaria pela vaga. Lembrei da sensação de invasão de privacidade que senti quando fiz isto no passado e disse não. Meu Deus, estou piorando. Mas melhorei no sentido de conseguir dizer não. Nisto fiquei orgulhosa de mim. No passado teria dito sim e ficaria doente por isto.

Preciso melhorar, preciso sair desta. Quero conseguir voltar a fazer coisas, tipo terminar meus cursos online (paguei por eles), fazer exercícios ou caminhar, arrumar casa, ir mais vezes ver minha mãe, voltar a caminhar e meditar no Taguaparque. No dia que acordo e consigo fazer uma coisa eu fico feliz. Semana passada fui ao mercado comprar uma besteirinha que queria e fiquei tão feliz por conseguir sair de casa e isto deveria ser uma coisa normal.

Eu preciso conseguir agir, fazer alguma coisa, qualquer coisa. Só acordo, ajeito as coisas dos gatos, assisto TV ou série no Notebook pq enxergo melhor de pertinho. Não estou vivendo, estou só existindo, igual planta. Preciso mudar isto. Socorro. Eu tenho tempo para fazer coisas novas ou até aperfeiçoar o que já sei. Quero conseguir fazer. Preciso de ajuda.

 Na verdade não tenho mesmo é vontade de fazer nada, não sinto prazer em nada, não tenho disposição, me falta ação, tenho desejo que conseguir fazer alguma coisa, mas quando penso em fazer, sinto que não conseguirei.

Na verdade não tenho mesmo é vontade de fazer nada, não sinto prazer em nada, não tenho disposição, me falta ação, tenho desejo que conseguir fazer alguma coisa, mas quando penso em fazer, sinto que não conseguirei.

17 de agosto de 2020

“O passado nunca morre. Não é nem mesmo passado”.

 

Minha irmã está em depressão profunda por causa desta pandemia. Síndrome do pânico, fobia social. Ou seja, experimentando a companhia das minhas velhas conhecidas.

Lógico que eu não desejo isto para ninguém, queria tirar esta depressão dela com minhas mãos. Mas como aprendi a apenas observar, percebi umas cosias.

Primeiro, ela me dizendo como estava sentindo e o que sentia quando falam para ela reagir. Eu falei e repeti umas cinco vezes que “Eu sei exatamente, você sabe que tenho depressão há anos”. E ela fica chocada.

Ela e as filhas delas sempre me olharam como a chata que está triste atrapalhando a alegria da família, quando eu estava na fase de depressão. E me olhavam como a que quer aparecer, ou a sem noção, em meus momentos de euforia. E falavam: _ Isto é psicológico. E em minhas crises de fibromialgia? Diziam que fibromialgia não existia.

Agora minha irmã está lá, aprendendo a duras penas, mas com muito apoio familiar o que eu vivi sozinha com meu filho. Meu filho tinha que se virar sozinho. Digo sozinho pq eu mal conseguia cuidar de mim. Mas o pouco de energia que tinha eu tentava usar para cuidar dele. Ele sempre foi e é a Luz da minha vida.

Ontem minha irmã me ligou me pedindo para fazer mil coisas para o genro dela pq ele está sozinho e pode entrar em depressão. Ele não está em depressão, liguei para ele. Mas fiquei pensando:

Véi (adoro falar véi, sou do DF, mas tbm sou mineira uai), nunca nem me ligaram ou ofereceram ajuda quando eu estava na pior com depressão. Parecia que eu estava com uma doença contagiante e que eu poderia contaminar até pelo telefone. Sempre que eu estava na pior, no fundo do poço ou no auge da euforia, minha família sumia, só meu pai me ligava, mas ele sempre tão doente tadinho, me ajudava com as ligações. E fazia a diferença. Meu pai fica entrando e saindo do hospital a 25 anos, é um guerreiro.

Então fico pensando. Pq tenho que ajudar o genro dela? (ele não está precisando de ajuda, conferi), pq tenho que me preocupar com ela? Ela tem uma rede de ajuda, está na chácara isolada com empregados ajudando. É triste, mas ela vai aprender muito com esta doença, pelo menos é o que eu espero, pq ela é psicóloga. Será que ela também não acreditava na depressão dos pacientes dela? Ela vai se tornar uma psicóloga melhor.

Este distanciamento está me fazendo ver e relembrar de muitas coisas doloridas. Coisas que eu tinha enterrado e nunca quis ver. Minha psicóloga sempre falava que ia tirar a purpurina que eu colocava em minha família Achava que ela tinha tirado tudo, mas não. Algumas coisas estavam no subsolo do fundo do poço. Infelizmente ando acessando este lugar ultimamente.

Meus pais têm muitas qualidades e eu amo-os demais. Mas também tenho me lembrado de coisas. Tenho lembrado do tanto que meu pai gritava, me chamava de lerda por eu ser distraída e de como ele sabe ser cruel com as palavras, fisicamente não, muito dedicado à família, até demais, pq nos controlava excessivamente e nunca saia de casa. Adorava quando ele tinha que viajar a trabalho, voltava um doce.

Minha mãe nunca escondeu a preferência por uma das filhas, esta irmã, a preferida, sempre fez tudo errado, sempre aprontou horrores, roubou, mentiu, manipulou, mas é a queridinha. Hoje vejo que minha mãe sempre posta àquelas fotos de lembranças do Facebook com ela e os filhos dela, eu sempre fui a que mais saiu com ela e ela não posta nenhuma foto comigo. Eu saia com ela quase toda semana, me Instagram tem mais fotos da minha mãe do que minha Tenho muitas teorias sobre isto, cada uma dói mais que a outra. Então deixo de lado e tento ver só o lado bom da minha mãe, tem muita coisa, bem humorada, antenada, jovial, me faz rir muito.

Pensei que ele não percebia isto, mas hoje ele falou. Deixa a família queridinha da minha avó fazer isto para ela. Você tem que cuidar de você.

Não queria estar vendo o passado, mas não estou conseguindo fazer muitos planos para o futuro porque não consigo imaginar como vai ser, com estes tempo sombrios que estamos vivendo. Doenças, brigas por tudo, política, religião, gênero, estilo... esta era de ódio na internet em que de um dia para o outro as pessoas se acham no direito de destruir a vida do outro através das redes sócias. Enfim, muitas coisas ruins que me deixam chocada e preocupada com o futuro da humanidade.

Acho que estou meio deprimida também. Não quero ficar olhando para trás e remoendo o passado. Mas estas descobertas, este desnudar do meu passado tem sido mais intenso do que anos de terapia, lembrado de coisas absurdas.  Não sei se é lembrar ou ressignificar, tirar a purpurina como dizia minha terapeuta.

Dói, acho que sou lerda mesmo. Só agora as fichas da minha vida estão caindo.


24 de abril de 2020

Tenho que confessar, estou adorando o isolamento


             



             Tenho que confessar, estou adorando o isolamento. Não estou dizendo que estou gostando da doença ou da Pandemia. Nunca. Mas estes dias em casa, sem precisar sair, não precisar justificar ou dar desculpas para não sair me deu um tempo para descansar emocionalmente do convívio forçado com o mundo. Meu estilo de vida agora salva vidas.
               Também estou tranquila porque meu pai melhorou e a cuidadora nem precisa ficar mais na casa deles. O que é muito bom porque minha mãe não aguentava mais tanta gente entrando e saindo da casa dela e minha mãe também está podendo descansar. Era empregada, filhas, netas, cuidadora, enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, geriatra... Aff. Agradecemos o plano de saúde ter fornecido todo este aparato em casa, mas é absurdamente cansativo, zero privacidade, a casa vira hospital, é um desgaste emocional absurdo. Minha mãe sofreu. Agora só a empregada vai três vezes por semana lavar as roupas, porque todo dia tem que trocar as roupas de cama, porque a urina sempre vaza da fralda à noite, aí pela manhã troca roupa de cama, pijama, coberta. Lava banheiros, da uma geralzinha. Mas ela é super cuidadosa. Chega, toma banho antes de começar fazer as coisas, usa muito álcool. Tudo certinho.
Meu pai voltou a ir ao banheiro sozinho, vestir a própria roupa e ir vagarosamente de andador, almoçar na cozinha. Parece mentira que estas três atividades salvaram nossa sanidade.  Mas ainda usa falda porque não controla a urina direito. A noite não controla nada.
               A única coisa que me incomoda é não poder ir lá na casa dos meus pais, meu filho sai todos nós somos de risco. Só saio de casa para fazer coisas para eles. Tirar dinheiro do banco ou comprar alguma coisa. Mas em geral, meu filho está sendo o que faz compra para nós, para os avós e para tia e amigos que precisarem. Ele está podendo trabalhar de casa.
Tive sintomas gripais, todos os sintomas do COVID-19 menos a febre. A minha médica me consultou por Whatsapp e mandou ficar em casa. Se tive não sei, acho que não, mas o risco para mim é enorme, porque só de tomar banho eu canso, fico ofegante, nem quero imaginar. Mas tive de me afastar por completo dos meus pais. Quando levava algo, deixava na varanda, passava álcool e conversava pela grade depois. Ainda estamos fazendo isto, mas agora já me liberaram para conversar na varanda e voltar a fazer a barba do meu pai.
               Tirando a preocupação normal com os familiares e de pegar este vírus. Estou curtindo. Nunca fui tão sociável. Kkk
               Primeiro as meditações coletivas pelo Youtube (ao vivo), lives no Instagram ou pelo Zoom. Tem em 5 horários diferentes, geralmente escolho 2 horários, o das 6 horas da manhã e outro. Todos os dias. Veja que maravilha, sempre meditava sozinha e ia a meditação coletiva quando meu humor bipolar permitia. Não perco mais nenhum aniversário pelo Zoom . A internet está péssima por ter tanta gente usando, então posso abandonar as festas e colocar a culpa na internet. Que perfeito.
Ninguém no meu pé cobrando nada, meu filho é da paz total, fica no quarto dele trabalhando, conversando pela internet, sai só para as compras. No trabalho só vai se precisar. Só precisou ir 3 vezes. Eu até acho que ele se voluntaria para ter uma desculpa para sair, mas nesta ele está salvando vidas, ajudando muito. Quando chega se higieniza. Sou proibida de sair porque sou do grupo de risco. Tenho asma e minha capacidade pulmonar era de 40% sem medicação e 50% com, agora não sei se melhorei. Não fui fazer os exames e só irei talvez ano que vem. Dispensada pelo médico. Meu psiquiatra me dispensou, deixa as receitas na clínica e se eu precisar de algo é para mandar um Zap.
Minha vizinha pirou com o isolamento, entrou em depressão, começou a beber. Tenho um pé de mexerica que dá muita fruta. Colho, levo na porta da casa dela e grito: _ Mexerica, sei que não quer ver ninguém, mas mostra a cara para eu saber que você está viva senão chamo o bombeiro. Na primeira semana ela só mostrava as mãos dando tiau e agradecia as mexericas, só ouvia a voz. Depois começou a mostrar o rosto. Ontem foi no portão pegar a sacola que deixei pendurada no portão. Ela envelheceu uns 10 anos neste isolamento. Entrei em casa e chorei. Nem pude dar um abraço. Mas vou continuar cuidando dela assim, de longe, levando presentes e mandando vídeos bestas. É o que posso fazer porque nem celular ela quer atender.
Mas enfim. Estou bem, com as preocupações e cuidados  normais, mas sem paranoia, e vocês? Me contem como estão lidando com a bipolaridade\ depressão e o distanciamento social. Vamos nos ajudar.
#fiquememcasasepuderem

22 de janeiro de 2020

Até quando?



Estou aqui me perguntando:
_ O que o Universo reservou para mim?
Bem, já mal começou o ano e já estou às voltas com doença. Meu gato de 11 anos está com FELV, ou seja, limpo vômito fedido e diarreia de gato o dia inteiro, coitado, está com câncer no intestino. Meu pai vai operar de novo, o câncer voltou, ou seja, trocarei fralda com cocô e xixi de adulto a noite inteira. Que doença horrível este tal de câncer.
Minha vida vai ser assim até quando?
Vou voltar a ter uma vida “normal” novamente. Normal... Digo: Acordar, arrumar casa, cuidar de bichos, poder caminhar, assistir séries, fazer crochê e estudar inglês novamente?
Nunca consigo fazer planos, é só querer viajar, me inscrever em algum curso que tudo desmorona. Pq? Pq? PQ? Tem que ter alguma explicação. E não venham falar de auto-sabotagem pq tudo que acontece está além de minhas decisões. São doenças dos outros, problemas familiares que tenho que ajudar, reparos na casa que acabam com meu dinheiro...
Estou tão cansada. Tão de saco cheio da minha vida. Não temos controle nenhum sobre nada né?
Bendita bipolaridade que me fez fazer muitas loucuras na vida. Sem ela minha vida teria sido “normal”. Pelo menos eu vivi umas três vidas em uma. Bebi mais que devia, tive mais namorados que algumas pessoas em umas duas encarnações, saí muito, ri muito, chorei muito, gastei muito, mais do que eu podia. Tudo foi muito intenso na minha vida. E pensando bem... Graças a Deus, porque agora eu não tenho vivido, só sobrevivido, levando a vida com a barriga.
Se não fosse a bipolaridade eu não teria tantas lembranças boas. As ruins eu resignifiquei e transformei em boas agora. Lasquei-me com aquele namorado??? Tento lembrar só das coisas boas que vivi, sem pensar com quem foi porque eu saí muito, bebi muito, transei muito, ri muuuuito, fui a muitos lugares que hoje não teria coragem de ir, festa que participei coisas que comprei bebidas que experimentei...
Preciso disto, é fuga? Talvez. Mas é o que está me mantendo sã. Minha vida não está mole não. Está se limitando a limpar xixi, cocô e vômito de gente e gatos. Aff
Mas tenho um filho maravilhoso que é a razão da minha sanidade e meus gatos que me enchem de amor. Mas estou cansada, sei que meu pai está muito mais cansado do que eu, sofro também ao vê-lo sofrer, nunca o abandonarei ou tratarei mal, mas as vezes quero sumir por uns dias para um lugar limpo, que eu não tenha que arrumar nada, que eu possa ver uma linda paisagem da janela do quarto ao acordar...
Estou com tanta pena dos meus pais... meu Deus. Deve ser a 15ª cirurgia do meu pai. Não aguento mais vê-lo sofrer...
Vai passar, vai passar...

20 de janeiro de 2020

Hora de cuidar dos pais idosos




Hoje estou particularmente sensível. O câncer do meu pai voltou e ele vai operar novamente esta semana.
Estou com muita pena dele, está velho, já passou por tanta coisa, por esta cirurgia que vai fazer, já passou quatro vezes por ela. Não sei como ele consegue recuperar e sobreviver. Acho que ele ama tanto a minha mãe, que se recupera para não dar trabalho para ela e não deixá-la sozinha. Mesmo ele doente, precisando de ajuda para tudo, ele ainda coloca moral na casa e do jeito dele cuida da minha mãe e da casa. Porque ele da conta de tudo e fica cobrando atitudes. Tipo: Está na época de mandar lavar a caixa d’água. Época de podar as árvores. Pagaram isto? Arrumaram aquilo.
Ele vigia tudo e liga para virem arrumar as coisas. Mas nós, ou seja, mais minha mãe que tem que dar conta de tudo, porque ele mal anda de andador.
Mas aí, quando ele opera, ele tem a tal demência pós-cirúrgica que acontece por causa da anestesia. Dura uns dois meses. A cada semana melhora um pouco, mas são dois meses de tortura. Ele nos adoece, nós piramos junto. (só quem já passou por isto sabe o que é e pode dar conselhos). Ficamos exaustas, muitas vezes até com raiva, e em seguido com culpa. É um tormento.
Estou com pena dele, mas só de pensar nestes dois próximos meses eu entro em pânico. Ele não dorme, nos chama dia e noite sem motivos, só para nos torturar (tá, ele está “doidinho") Mas chegamos ao nível de exaustão. Passado os dois meses ele começa a melhorar e nós todos já estamos doentes. Sério, no mínimo uns seis meses para nos recuperarmos. Corre o risco de morrermos de cansaço antes dele.
Mas, vamos enfrentar. Ele foi um bom pai e merece muito amor. Mas não consigo deixar de pensar em mim, egoísmo? Sentimento de auto-preservação? Não sei, só sei que não consigo parar de chorar em pensar no que me aguarda.
Que o divino criador Adi Shakti me proteja e me encha de saúde física e mental. Que eu sobreviva e consiga ajudar meus pais.
Agora é hora de cuidar deles.

Vale a pena ler este artigo abaixo:

24 de novembro de 2019

Natal do consumismo.




Começou a chatice do Natal. Vários convites para festinhas com amigo oculto, que geralmente é amigo da onça. Se você não participa é o chato de plantão, aí junta um monte de gente com vários participando só para não ser o chato, gasta o que não tem em presentes bobos e leva para casa algo que quer jogar fora ou dar para qualquer um só para se livrar do presente. Comprar, comprar, comprar... 
Teve um ano que comprei um presente legal e voltei para casa com um kit de escova e pente de cabelo para crianças. Não participei mais, sou oficialmente A CHATA.
E a reunião familiar? Você tem que conviver o ano todo mesmo querendo mudar de país (mas infelizmente não tenho como) e no Natal você obrigada a ir celebrar o consumismo e aturar a noite toda estas pessoas que você não tem como ficar livre. Lógico que sempre tem aqueles que você ama estou desabafando dos chatos... E tem aqueles que você quer que Iemanjá leve como oferenda e sua mãe convida e você tem que olhar na cara da oferenda rejeitada. Ai meus deuses!!!!
Natal e Ano Novo gosto de passar em casa com meus bichos por causa destes fogos de artifício que quase matam os coitados de medo. Este ano serei obrigada a ir à casa dos meus pais, já vou começar avisar que ficarei por pouco tempo. Falarão mal de mim até pelas costas... Já sei. Mas se eu ficar lá muito tempo, no outro dia estarei enterrando pelo menos duas de minhas gatas.
Ontem com os fogos do jogo do Flamengo, uma entrou em choque e a outra vomitou a noite toda de tanto medo. E eu estava aqui cuidando delas, colocando no colo, embaixo do edredom comigo, mesmo com um calor infernal.
Uma vez fui doar alimento para um abrigo de moradores de rua. Chegando lá, perguntei se tinham alimento suficiente para o dia do Natal.  Os religiosos me falaram que no mês de dezembro sobra comida. O problema é o resto do ano que o espírito de Natal vai embora.
As pessoas têm que fazer doações mensais em vez de virem com esta falsidade fingindo ser pessoa boazinha só em dezembro. Sim, mesmo estando na merda ajudo o ano todo, dentro das minhas possibilidades. E ninguém da família sabe que ajudo e nem a quem ajudo.
Ano passado minha uma parte da minha família foi distribuir comida para os pobre em um dia perto do Natal, não fui. O que adianta um dia só no ano??? Eu não entendo isto. Lógico, falaram mal de mim. Kkk Tenho pavor destas falsidades, doar coisas na rua para todos verem que são boazinhas, tirar fotos, contar para as amigas o tanto que está cansada porque ficou ajudando os pobres... Tenho vergonha de ficar perto de pessoas assim. Não quero que ninguém saiba se fiz, o que fiz e para quem fiz qualquer coisa boa, ou doação, ou outro tipo de ajuda. E foto para mostrar para os outros? Humilha quem está recebendo gente, por favor. Nãããõooo façam isto.
Mês de dezembro é um mês estranho. Não gosto. Já estou começando ter crise de ansiedade por causa da chatice que sei que vem por aí. Falta de ar, fome emocional, vontade de chorar e de sumir.

2 de setembro de 2019

Voltando da caverna da escravidão.



Estou sumida. Grata aos amigos que enviaram mensagens perguntando como eu estava e por se preocuparem comigo.
Eu perdi o acesso ao Blog. Entrava e dizia que eu não tinha blog. Este mês que vi que o erro era meu eu estava logada no Google em outro e-mail... dããã. Nossa como sou distraída. Pensei que tinha perdido definitivamente.
Foi um semestre longo e difícil.  Mãe terminando o tratamento de câncer, pai iniciando tratamento de câncer, pai operando o câncer, sobrinho roubando meus pais aproveitando que eles estavam debilitados, família brigando porque tiveram que fazer BO por causa dos 20 cheques roubados, descobrir que seu sobrinho tem mais de processos contra ele...
A recuperação do meu pai foi difícil, passava a noite (de 20h ás 10h da manhã) com ele, trocando fralda e ouvindo ele me gritar de 2h em 2h de dor. Estava exausta. Aprendi a silenciar e observar com a meditação, mas estes dias foram foda conseguir. Percebi que um tanto era fingimento do meu pai. Fizemos ir ao médico e fazer todos os exames disponíveis. Ele estava com uma infecção urinária e o resto era mentira. O médico disse que a dor dele era psicossomática. Mas não era. Ele ficou sem graça e disse que deve ter se enganado e nunca mais reclamou de dor, fingiu que nunca reclamou. Ficou um pouco sem graça e fingiu demência. Ele faz estas coisas para nos torturar.
Chorei de raiva dele e fiquei triste por sentir tanta raiva. Ele está velho, mas melhorou o comportamento, voltou a ir ao banheiro sozinho. Bem, o físico dele é frágil, mas a língua é afiada feito uma katana. Voltei a dormir em casa, mas eu estava acabada, moída física e emocionalmente o estrago tinha sido feito.  Fiquei mais de um mês não sentindo nada, como se estivesse em estado de choque. Ainda nem sei o que dizer ou sentir com relação ao que meu pai fez. Senilidade? Maldade? Egocentrismo? Tudo junto?
Voltei a chorar sem motivo, mas pelo menos sinto tristeza e medo do que vem pela frente porque antes eu me sentia oca, sem sentimento, fazendo tudo no automático.
Sei que fui além das forças de um bipolar em depressão. Sabe? Nós somos é porretas de fortes. Só nós sabemos a dor que existe latejando dentro de nós e mesmo assim fazemos muito, ajudamos quando na verdade precisamos de ajuda, cuidamos quando na verdade precisamos de cuidados, ouvimos quando na verdade precisamos de alguém que nos escute.
Que merda de ano. E ainda desde maio meu vizinho da direita está reformando a casa e destruindo a frente da minha casa e eu sem forças para brigar ou impor minha vontade. E agora o da esquerda começou a reforma também. Putz...
Estamos em setembro e a única coisa que fiz por mim este ano foi ir ao cinema assistir Vingadores com uma amiga que estava pior do que eu depois fomos lanchar. E esta foi a única coisa diferente e boa que fiz este ano.
Estou tão sem energia, vontade de só ficar deitada.  Olho para minha casa e ela está tão suja, só arrumadinha, sinto tanta culpa por isto. Não tenho forças para fazer comida. Estou comendo mal e me endividando pedindo marmita. Acho que queria um início de euforia, pois fico com energia para tudo. Pena que depois só faço merda. Mas... vou sobreviver. Um dia de cada vez.




.

11 de janeiro de 2019

Conversando com a depressão




Estou lendo o livro de Elizabeth Gilbert, Comer, Rezar e Amar. Assisti a este filme várias vezes. A primeira vez que assisti achei bonito, deu vontade de deixar tudo para trás e sair viajando pelo mundo. Mas a vida não é tão simples.
Depois conheci a Sahaja Yoga e comecei minha vida mudou, tudo ficou mais nítido, comecei a ver o mundo com uma lente grande angular. Um dia, sem nada para fazer, o Filme Comer, Rezar e amar estava repetindo na TV. Assisti de novo. Como assim, de novo não, na verdade assisti pela primeira vez. Como eu não tinha percebido tanta coisa antes?
Depois que comecei a meditar, o filme se transformou, na verdade a minha capacidade de perceber as coisas se transformaram. Assisti a um novo filme, com os mesmos atores, falas e paisagens, só que tudo com um novo significado. Chorei de emoção ao perceber que eu mudei para melhor.
Dormindo um dia deste na casa dos meus pais, fui guardar minha nécessaire em um pedacinho do guarda roupa que me permiti usar nos dias que preciso dormir lá e atrás estavam os livros da minha sobrinha que já morou lá. Que livro vejo? Comer, Rezar e Amar de Elizabeth Gilbert. Peguei emprestado. Minha sobrinha tem a qualidade do desapego. Deixa tudo dela exposto para quem quiser emprestado pegar.
Sem spoiller, mas falando de uma parte do início do livro, ela está feliz na Itália e do nada, duas velas amigas a encontram lá. A depressão e a solidão. E começam um diálogo com ela a seguindo até seu apartamento.
É, não importa onde estamos, no deserto ou na praia, nas montanhas ou no gelo, se elas quiserem, elas nos encontram. Não tenho muitos problemas com a solidão. Geralmente a admiro e desejo. Mas a sua companheira...
Neste encontro ela fala que a solidão começa a conversar com ela, e se deixar fala por horas. Não acho que seja a solidão a falar, acho que a depressão fala comigo com a minha própria voz, me puxando para baixo. Teima em relembrar o passado, as coisas que fiz e não deveria ter feito ou deveria ter feito de outra forma. Quando caio na asneira de argumentar: _ Mas eu não sabia, não tinha a informação, experiência e sabedoria que tenho hoje. Ela nunca aceita a resposta, argumento, julga, condena.
Quando eu caio na besteira de dar ouvidos a ela, ela fica batendo na mesma tecla, como um loop infinito. Ela acusa, eu argumento, ela reforça, eu me defendo... Aaaahhh.
Grito:
_ FIQUE NO AGORA, O PASSADO PASSOU, PARE DE REVIVÊ-LO. Levanto, sento-me em frente ao meu altar e medito, faço as técnicas que aprendi na Sahaja. Antes de aprender a meditar, eu ficava assim até o Sol nascer. Não acontece mais com tanta frequência, mas ainda acontece. Antes era diariamente, hoje em dia fico bons tempos sem passar por isto. Se deixo de meditar vai voltando devagar e se instalando. Meu filho percebe e fala. Vai meditar mãe, sei que você não está meditando, percebo.
Quando li Elizabeth Gilbert, descrevendo este diálogo e esta experiência tão bem, infinitamente melhor do que eu percebi que deve ser assim com mais pessoas, não sou tão doida. É que poucos falam e muito menos escrevem em um livro autobiográfico de tanto sucesso.
Recomendo este livro a todos.

3 de março de 2018

Prazer de ficar em casa



          Eu estava aqui pensando com meus botões pretos. Por que as pessoas implicam tanto por ficarmos em casa? Qual o mal nisto? Estou atrapalhando quem? Por que sou obrigada a dar um jeito de sair?
          Trabalhei desde os 19 anos, às vezes em 3 turnos, estudando, para ter uma casa, comprar os móveis que gostei para minha casa, eletrodomésticos que sempre quis, comprar um boa Smart TV, pagar IPTU, manter a casa, fazer manutenção da casa... E é doentio eu querer ficar nela curtindo minha Netflix?
          Se tem um lugar que tem coisas que eu gosto é minha casa. Investi minha vida nela. E ainda tem meu filho, minha cachorra e meus 9 gatos. J
          Por que as pessoas implicam tanto?
          E vou dar uma dica de filme para bipolares assistirem no conforto de suas casas. Muito bom o filme.
          O título em português é “Tocados pelo Fogo”

Tocados pelo Fogo (Touched with Fire) Clique no título



SINOPSE E DETALHES
Dois escritores com Transtorno Bipolar do Humor, Carla (Katie Holmes) e Marco (Luke Kirby) acabam do mesmo hospital psiquiátrico. Os poemas de ambos são regidos por seus conflitos emocionais. Eles se aproximam e isso faz com que suas emoções tornem-se mais intensas, o que agrava a doença de cada um. Os médicos e familiares tentam separá-los, porém, cada vez mais o romance destrutivo deles se intensifica.



24 de abril de 2017

Vida de aposentada bipolar

Por do Sol em Brasília
Bem faz apenas 1 mês e 21 dias que aposentei, ainda não me sinto aposentada, nem com tédio, nem com saudades do trabalho, se é que um dia sentirei. Sinto-me de férias.
  No primeiro mês quis abraçar o mundo com as pernas. Tanto tempo me segurando para conseguir trabalhar, sendo “alegre”, suportando as dores da fibromialgia sem reclamar e me entupindo de analgésicos e antiflamatório para dar conta do recado. Mas não soube lidar. Me entreguei, sofri com as dores, fiz repouso, tive medo do futuro achando que ficaria assim, quase de cama para sempre.
  Acordei cedo todos os dias, queria arrumar a casa, armários, guarda-roupa... Comecei foi piorar, ficava me cobrando fazer as coisas e ter rotina. Porque todos falaram que era importante. Deprimi, as dores voltaram com tudo. Aí pensei. Pela primeira vez desde os 19 anos de idade que  vou poder respeitar meu corpo, fazer só o que eu conseguir e quiser. A casa existe para me servir e não o contrário. Não tenho marido para me cobrar e tenho um filho que vale ouro e me entende e respeita.
  Relaxei. Arrumo casa no dia que acordo sem dor. Só pela manhã, a tarde me reuso. Mas se tenho algum programa deixo a arrumação para amanhã. Estou com dores? Deito, assisto filme, faço comida fácil de fazer ou saio ou durmo ou vou caçar Pokémon (hehe). Gente, ficar sem trabalhar também é uma arte.
  Passado este um mês de aposentada, comecei a melhorar. Mas ainda estou aprendendo.
  Eu me dei até julho para deixar meu corpo se curar, ou pelo menos melhorar. Comecei a sair mais, ver o por do sol de Brasília que é linnnndoooo!!!! Desencanar com este negócio de ter que deixar a casa arrumada. Porque sempre tive isto, Domingo tenho que deixar tudo arrumado porque na segunda começa tudo de novo. Mas para mim agora todo dia é sábado.
  Queria entrar na academia, resolver isto e aquilo. Calma sua bipolar, sem pressa. Vou FAZER NADA até julho. Dar este tempo para meu corpo e mente que sempre quis e nunca pude. Em agosto paro, faço um introspecção, analiso a minha vida, crio uma rotina levando em conta minhas limitações, fibromialgia, bipolaridade. Estou ótima, nunca estive melhor. Tenho certeza que vou melhorar ainda mais.
  Olho para trás e vejo o quanto fui guerreira, quantos dias fui me arrastando trabalhar, mancando, chorando ou agressiva querendo matar um...  Sério, nós bipolares somos fodas. Vencemos batalhas diárias, temos dias péssimos, mas conseguimos ter dias bons apesar de tudo. Períodos bons, normais, produtivos. Somos MARAVILHOSOS!!!!
  Introspecção, introspecção. Um dia de cada vez, vivendo sempre o agora. Vai dar tudo certo.

Netflix me aguarde, vou te usar e muuuuito.

29 de outubro de 2016

Tornando-me fria!!! Assédio sexual no trabalho!!!



Já vivi muitas coisas, muitas decepções. Fui ficando calejada, sábia, esperta, precavida. A vida tem complicações para todos, eu sei, mas para os bipolares, depressivos, fóbicos, nossa, só quem passa por isto pode avaliar.
Quem diz:" _ Eu imagino!!"... Na verdade não faz idéia.
Nunca podia imaginar sofrer o que sofri neste semestre. Ser assediada por uma mulher no trabalho, e de uma forma doentia.
Se fosse um homem, eu ou daria um tapa na cara dele, ou rodaria a baiana ou ia direto para a delegacia.
Mas com uma mulher, alguns colegas viam e caiam na gargalhada, como se fosse engraçado. A ela está brincando... Você permitiu... Ficou brincando com ela e fez ela achar que podia...
Fui sábia. Fechei a cara, fui grossa, falei para a pessoa que ela estava exagerando, para parar, e fiz umas 6 pessoas perceberem e serem minhas testemunhas (mesmo sem saber minhas intenções). Porque meu medo era eu brigar, falar alto e alguém comentar. A, ela é readaptada, não é normal, coitada da fulana, nunca fez isto, ela é hétero e muito religiosa. Me julgarem, condenarem e ela passar a ser a vítima.
Aí a dita cuja começou como uma brincadeira, depois foi exagerando e  a quando me via sentada, falava besteira no meu ouvido de jeito que ninguém ouvisse, só eu. E um dia passou a mão nas minhas nádegas e enfiou a mão no meio das minhas pernas.
Tive até ânsia de vômito de raiva. Mas tinha uma turma de alunos de 4 anos ao meu lado (veja a cara de pau da dita) e não tive como reagir na frente dos alunos, pq eles estavam chorando , esperando seus pais irem buscar pq a professora não tinha ido trabalhar.
Ruminei aquilo dentro de mim. Na segunda-feira amanheci na sala do diretor, chamei uma amiga de testemunha e contei tudo para ele. Falei que tinha testemunhas e que estava avisando porque eu iria apelar, ia na delegacia se continuasse e para ele não pensar que eu estava fazendo isto pq eu era uma readaptada desequilibrada.
No fim, o combinado é que a minha amiga falaria com a dita cuja, se ela voltasse a chegar perto de mim o diretor agiria. E o interessante é que esta amiga confessou que saiu da outra escola pq foi assediada por uma professora tbm e o caso foi parar na delegacia. Que isto??? As mulheres estão pirando.
Eu  alertei o meu diretor. Falei: A partir de hoje ela vai começar a se fazer de santa e vítima. Vai começar a falar de Deus, missa e Nossa Senhora. Não deu outra.
Resumindo, minha amiga conversou com ela seriamente, ela se fez de vítima e disse que nunca encostou em mim e que eu que a abracei no dia do enterro de sua mãe, foi a única vez que nos tocamos (olha a cara de pau e o drama). Disse que é muito religiosa e que nunca falaria nada imoral para ninguém. Bingo acertei.
No outro dia foi aniversário da dita cuja e uma colega a abraçou e perguntou onde seria a festa. A cara de pau disse: _ Sou muito religiosa, vou comemorar na missa, em oração!!!
E a doida sou eu???? E se eu não tivesse conseguido me segurar para que outras pessoas pudessem presenciar o assédio? Eu passaria por louca. A readaptada surtada. A bipolar desequilibrada. QUE RAIVAAAAAAAA....
O mais chato de tudo isto é que me fechei totalmente. Sou carinhosa, chego  dou um oi, um abraço meus chegados. Nossa, perdi a vontade até de desejar um bom dia. Quero sumir daquela escola. Vontade de nunca mais voltar...
Mas o ano está acabando. Tenho que conseguir terminar este ano sem me deixar afetar. Que merda isto. Já tenho pavor de final de ano, de Natal e sempre tem que acontecer algo para piorar estes dias. Assédio sexual no trabalho e de mulher, foda isto...